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MORTÍFERA

Uma mulher, de vestido negro,
batom carmim e unhas longas,
sentou-se à mesa do bar,
pediu um gim-tônica
e sorriu para mim,
como quem já sabe o fim da conversa.
 
Ela repete, debochada,
cruzando as pernas,
todo esse ritual,
num gesto ensaiado de eternidade.
 
Não tem pressa.
Acende um cigarro
com a calma de quem
já me guarda na bolsa,
entre o batom e a chave da noite.
 
Fala baixo,
chama-me de amor,
e no timbre há promessa de cama
— Simbolismo sepulcral
de um adormecer perpétuo.
 
Seduz — não com o corpo,
mas com esta certeza:
a de que ninguém lhe escapa,
nem os que a desprezam,
nem os que a beijam antes da hora.
 
E eu, tolo,
levanto o copo,
brindo ao seu convite
de uma vida eterna a dois.
 
Criado em: 15/8/2025 Autor: Flavyann Di Flaff 

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