Nossos olhos, quando acostumados com a escuridão, acham a luz irritante.
A presença, cotidianamente certa, causa-nos a falsa segurança de que o outro,
apesar de tudo, estará, para sempre, conosco, e é isso o que nos faz adiar, para o amanhã, a reciprocidade ao sentimento ofertado.
Na vida, nem tudo é o que parece ser, portanto, devemos ser capazes de decifrar as metáforas com as quais ela nos presenteia diariamente. Amar, meu amigo, possui as suas sutilezas! Esse nobre e humano ato não se faz presente só nas palavras elogiosas, porque elas podem ser falseadas, mas também nos mais singelos e contraditórios gestos. Um não de quem nos ama pode ser um dos atos de lapidação do nosso caráter em todos os sentidos, afinal, a lógica ficou como regra para as coisas exatas, já as que são imperfeitas, pois estão em contínua construção, como as humanas, carecem de interpretações prévias, a fim de não cometermos enganos e, mais à frente, padecermos de um patológico arrependimento.
Criado em: 21/8/2022 Autor:
Flavyann Di Flaff

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