A solidão já o consumia há tempos! Era o
seu uniforme diário para cumprir o labor insalubre que é a sua vida, algo que cumpria com
extremo automatismo, tanto que a sua respiração mais parecia com a de um
sistema pneumático mostrando o cansaço pela tarefa repetitiva. Nesse ir e vir
de casa para o trabalho, do mal se alimentar, do banho tomado à força e do se
jogar na cama, o coração murmurava inaudível, visto que o cérebro cansado mal
sentia os membros.
O dia amanhecia, e recomeçava o seu penoso ciclo existencial, mas nesse dia, não acordou como sempre fazia, uma sensação diferente o incomodava. Tomou o seu pingado rapidamente e disparou rumo a seu ofício. Em todo o trajeto, algo a lhe incomodar. Chegou, bateu cartão, suou, bateu cartão e retomou o velho caminho – vereda das dores – rumo à sua casa, algo bem distinto de um lar.
Um pressentimento se manifestanto em seu interior, uma aflição por não saber do que se tratava potencializando o desconforto. Finalmente, chegou à sua casa, mal se alimentou, tomou banho a contragosto e caiu sobre a cama, ainda desfeita da noite anterior. Novamente, no silêncio da noite, o coração – autor daquela sensação estranha – murmura, só que agora bem esperançoso, porque sabe que se fez ouvir pelo seu senhor.
Criado em: 27/8/2020 Autor:
Flavyann Di Flaff

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