Pular para o conteúdo principal

CORAÇÃO SUPLICANTE

A solidão já o consumia há tempos! Era o seu uniforme diário para cumprir o labor insalubre que é a sua vida, algo que cumpria com extremo automatismo, tanto que a sua respiração mais parecia com a de um sistema pneumático mostrando o cansaço pela tarefa repetitiva. Nesse ir e vir de casa para o trabalho, do mal se alimentar, do banho tomado à força e do se jogar na cama, o coração murmurava inaudível, visto que o cérebro cansado mal sentia os membros.

O dia amanhecia, e recomeçava o seu penoso ciclo existencial, mas nesse dia, não acordou como sempre fazia, uma sensação diferente o incomodava. Tomou o seu pingado rapidamente e disparou rumo a seu ofício. Em todo o trajeto, algo a lhe incomodar. Chegou, bateu cartão, suou, bateu cartão e retomou o velho caminho – vereda das dores – rumo à sua casa, algo bem distinto de um lar. 

Um pressentimento se manifestanto em seu interior, uma aflição por não saber do que se tratava potencializando o desconforto. Finalmente, chegou à sua casa, mal se alimentou, tomou banho a contragosto e caiu sobre a cama, ainda desfeita da noite anterior. Novamente, no silêncio da noite, o coração – autor daquela sensação estranha – murmura, só que agora bem esperançoso, porque sabe que se fez ouvir pelo seu senhor.

Criado em: 27/8/2020 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff