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LETARGIA


Que cansaço é esse que, do nada, vem assolar Sísifo, despertando aquilo que mais tarde o torturará – a tomada de consciência? Esta ciência de que seus atos, hercúleos e repetitivos, são em vão, já que não contribuem para o seu desenvolvimento humano, pois os resultados são sempre infrutíferos e frustrantes, talvez parta de ensinamentos que primam pela formação de homens passivos e obedientes, nos quais é incutida a ideia de que se consegue atingir, como pessoa, a realização plena, através do próprio esforço. Omitindo o fato de que vivemos em uma sociedade em que o conhecimento e o relacionamento com pessoas influentes fazem toda a diferença na plenitude de uma realização particular. Afinal, a polissêmica meritocracia só poderá ser válida, quando todos os indivíduos de uma sociedade possuírem, exatamente, as mesmas condições sociais, econômicas e psicológicas.

Portanto, até então, o que vemos e vivemos de fato é o aumento da injustiça social. Realidade que tem levado muitos indivíduos a perecerem diante de uma impotência que não lhes é própria, mas imposta por este sistema, de nada poderem ser. Esse não se adequar, leva a massa à letargia dos seus direitos e, consequentemente, à sua morte, metafórica ou literal.

Criado em: 13/7/2019 Autor: Flavyann Di Flaff


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