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Mostrando postagens de outubro, 2025

BREVE REFLEXÃO EXISTENCIAL

  Que mundo é esse onde obtemos a vitória, mas, mal vencemos, não podemos saboreá-la, porque já somos cobrados a lutar de novo. Onde o luto é jogado embaixo do tapete, porque já não temos mais a naturalidade, nem o tempo necessário para experienciá-lo devidamente.   Onde demonstrar fraqueza é torna-se inapto à constante peleja existencial. Onde possuir virtudes é barganhar para exercê-las. Onde o certo tem que se omitir diante da coerção belicosa do errado.   Onde a exaustão física e mental deve ser camuflada, a fim de continuar a ser útil socialmente. Por fim, onde a morte é literalmente o descanso de um ambiente hostil em todos os sentidos.   Diante de tudo isso, pergunto-me: faz sentido ainda permanecer por aqui?   Criado em : 31/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

RESET

Programaram a mente, treinaram o sentir, formataram o sonho.   A escola virou fábrica. E o aluno? Peça de reposição.   Folha em branco. Funil. Cérebro em linha de produção.   “Decore. Repita. Não questione.” Manual de instruções pra alma obediente.   Mas eu quero bug. Quero travar o sistema. Quero poesia em vez de planilha.   Quero a professora rindo de verdade; o giz voando, feito avião de papel; e a dúvida virando descoberta, num crescente, como um bolero de Ravel.   Porque o homem não cabe no molde. Não é máquina, nem músculo, nem dado estatístico.   É caos. É flor. É erro bonito tentando aprender a se construir.   E se educação for isso — criar, sentir, reinventar-se — então, ensina-me de novo. Mas, dessa vez, ensina-me a ser, e não a obedecer.   Criado em : 29/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

LEITURA ABISSAL

  Imagem é lago raso – superficialidade em pessoa – porque mal se põe os olhos, já se encanta com o que é máscara espelhada. Em um mundo de símbolos ocos, ela surge como um oásis em meio a este vasto deserto de essências que é o mundo real. Porém, quando a tessitura da realidade nos é exposta, e a atomização cotidiana nos cobra o entendimento reducionista e simplista da vida, nada de fato fica claro, porque o acesso aos sentidos abissais nos é negado, afinal, a pressa é inimiga de uma perfeita percepção. O texto é um mar revolto envolto por uma baía de inspirações que geram significados, fora disso, é água parada, sujeita às imundícies de mentes medíocres. Como mar, só olhá-lo não é suficiente, faz-se necessário que o exploremos profundamente, por isso, mergulhar para o conhecer é uma prática aconselhável. Portanto, mergulhar nas profundezas abissais de um texto é a fórmula perfeita para conhecer e decifrar as várias camadas que compõem as tramas tecidas nas entrelinhas expos...

O ÓPIO DO POVO

Quando dependentes da natureza, convertemo-nos ao politeísmo. Assim que fomos “escravizados”, convertemo-nos ao monoteísmo. Pelas lentes da religião, conhecemos as mazelas que assolam a sociedade. Por trás da narcotização religiosa, a impotência humana de lidar com a dura realidade do mundo. O humano cria a religião, mas a religião não molda o homem, porque a realidade social que o cerca é o ser criador de seu pensamento.   Criado em : 23/10/2025 Autor: Flavyann Di Flaff  

FAST-FOOD MENTAL

  Vendem-se ideias em promoção, três por um clique, com batata de opinião e refrigerante de ego.   O pensamento vem pronto, embalado em frases motivacionais. Ninguém mais cozinha o próprio sentir.   A alma, fastidiosa, procura tempero no vazio, mas o cardápio é o mesmo: Sucesso, pressa, aparência.   Enquanto isso, a consciência emagrece, e o espírito, desnutrido, morre de fome diante da tela.   Criado em : 17/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

CÍRCULO DA VIDA

Quando crianças, tememos o escuro, o silêncio, o vazio do não saber.   Crescemos — e o medo muda de rosto. Já não é o desconhecido que assombra, mas o que a vida nos fez conhecer demais.   Trazemos na pele o peso das lembranças, o frio das ausências, o eco do abandono.   Envelhecer é, de certo modo, voltar a ser criança — mas com a consciência do fim.   Criado em : 15/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

FÓRUM ÍNTIMO

Na sala de audiências do nós, cada olhar é uma prova, cada silêncio — um processo. Advogado e promotor moram no mesmo peito.   A sentença já estava escrita antes do beijo — e o réu era eu, era tu, éramos nós proferindo bravatas, enquanto o amor apodrecia nos autos.   Ah, palavras viradas contra, como facas de papel cortando o que restou dos abraços! O relógio na parede — testemunha ocular e muda — conta o tempo que não tivemos para nos escutar.   E, no fim, o juiz bate o martelo sobre um coração partido, chamando isso de justiça.   (Enquanto lá fora os pombos — livres de leis — se beijam nos fios elétricos.)   Criado em : 14/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

ESTADO PARCIAL

  O Estado promete, o povo espera de forma passiva. A Constituição determina, mas, dúbia, é parcialmente cumprida.   Educação, Saúde, Segurança: Palavras grandes entregues em doses homeopáticas.   O salário é mínimo, a escola é mínima, a fé no sistema — mínima.   E nós, meros cidadãos, esperamos o máximo de quem já nasceu para nos dar o básico.   Criado em : 13/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

PROVÉRBIO DESCONSTRUÍDO

  O pai é um ser vazio de terno, a mãe é um eco num aplicativo. E a casa? Em vez de lar, é um mundo silencioso com Wi-Fi onde a liberdade perniciosa se sobressai.   A escola — oh a escola — Cumpriu datas, vomitou conteúdos, e não ensinou a enfrentar a selva de pedra onde os leões usam máscaras.   Mas a Aldeia... Onde está a aldeia? A aldeia virou uma ilusão na tela de um smartphone , é a buzina dos desesperados na rua, o like de um “amigo” nas redes, o muro pichado com bravatas.   A criança-espelho procura um rosto para refletir, e só encontra o abandono afetivo (um buraco negro no peito) e a escola descompromissada (um diploma de nada).   E o provérbio africano? É um suspiro, um fóssil, um verso solto num mundo de prédios, estáticos e frios, que não se tocam jamais.   É preciso uma aldeia inteira, porém, a aldeia foi desconstruída, e a criança — Projeto de vida de um ser cidadão — é só um rascunho na gaveta do esquecimento, inviabilizado por muitos nãos....

REINO CUSTOMIZADO

Dai a César, dai a Deus. E dai um pouco de lucidez a quem mistura o altar com o palanque.   Entre a cruz e a coroa, alguém sempre calcula o lucro da fé. Jesus fala de espírito, mas o homem traduz em materialismo.   Erguem-se templos — não de pedra, mas de poder. A palavra vira senha; o sagrado, propaganda.   O Cristo que perdoa vira slogan de campanha. O amor, que era verbo, vira fronteira moral, carimbo de pureza na testa dos “eleitos”.   O Reino... não cabe em palácio, nem em parlamento. Mora quieto, no espaço miúdo onde a consciência respira.   Mas o homem quer tocar o divino com as mãos sujas de poder, quer santificar a própria ambição, quer fundir fé e força, trono e tabernáculo.   E o resultado? Um Deus customizado, feito à imagem e à semelhança dos interesses de sempre.   Se o mundo soubesse — fé é para o íntimo, política é para a rua — talvez cessasse o ruído de quem fala em nome do céu, mas mira o reino da terra.   O Reino de Cristo conti...

DISTOPIA

  O movimento surge de uma utopia, Depois, firma bandeira de alguma ideologia São muitos quereres pra quem nada tinha. Assim, toma corpo, adquire força. Desfila em carro aberto, Canta frases de efeito, Vandaliza o status quo , Comercializa participações, Gera capital simbólico e material. Transforma-se em outdoor , vende o orgulho estilizado − Commodity cobiçada, ambição desmensurada. Já não há marcas da utopia, prevaleceu a distopia − Opressão hegemônica do capital, retrato da instrumentalização habitual.   Criado em : 8/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

SER PERCEPTIVO

  Não insista em contextualizar Teorizar minúcias cotidianas Criança disso nada entende Ela só percebe a presença Dos pais Dos afetos Da segurança A ausência não é despercebida De forma desmedida Gera distância Gera desafetos Gera inseguranças Assim, a infância É autoconstrução na observação Do diferente Dos outros Afinal a vida é prática Não é feita de conceitos abstratos Descartáveis no simples contato Com as coisas reais do mundo   Criado em : 7/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

ASCENSÃO ENLATADA

  Para toda jovem revolta periférica, um mimo de grife hypada − Entrada para o higt society da espetacularização. A vida em sua plenitude instrumentalizada, baseada no “quem nunca comeu mel, quando come, se lambuza!” Se nada tive quando na pobreza estive, agora enquanto celebridade, liberto-me, realizando todos desejos, conquistando as coisas que não possuía. Crescimento vertiginoso, travestido de status e ostentação, sempre à margem da real ascensão. Cresci no vaso da ignorância, ferramenta eficaz do sistema − Cresço como mercadoria, e não morro como periferia. Viva la vida loka! − Instintos abundantes, consciência pouca. Existência supérflua e breve − Carpe Diem pervertido.   Criado em : 7/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

ÓCIO REFLEXIVO

  E, na luta contra os moinhos de vento, ocorre uma pausa. Nesse breve ócio, um momento de reflexão: Como são enormes esses monstros indomáveis! Como vencê-los, se não tenho controle sobre eles? Nessa luta insólita, quanto ainda resistirei? A Existência não me é amiga, avisou-me do tempo breve. Assim, ou sucumbo na luta, ou me arrasto ao longo da vida que me resta.   Criado em : 6/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

ECO DOMESTICADO

  Toda revolta nasce pura, feito um grito que desconhece o eco. Mas o eco vem — e o sistema o grava, o edita, o vende.   O punho cerrado vira logotipo; a bandeira, estampa. A raiva é playlist; a utopia, anúncio.   E o homem, cansado de lutar, compra sua própria esperança em módicas prestações.   Ainda assim, há quem sonhe. Há quem insista em gritar, mesmo sabendo que o eco virará mercadoria. Porque, talvez — só talvez — no intervalo entre o grito e o lucro, a verdade ainda respire, negando o espetáculo de seu próprio luto.   Criado em : 6/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

METÁFORA DE UMA VIDA ALIENADA

  Um jovem cidadão, trabalhador informal, tem, como instrumento de labor, uma motocicleta . Ciente de que precisa renovar o emplacamento todo ano, prefere correr o risco cotidiano de ter o seu instrumento apreendido. Como se isso não lhe bastasse, em serviço, executa, de forma recorrente, outra infração de trânsito , “ empina ” a sua motocicleta irresponsavelmente, podendo, além de danificar e/ou perder o seu único instrumento de trabalho, causar um acidente grave a outros e a si mesmo. E, assim, segue a sua alienada vida, enquanto as consequências, por esta, não lhe baterem à porta. Criado em : 4/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

EDUCAÇÃO SUSPENSA

  Direito eterno ecoando nas paredes da Constituição mas o professor… temporário, passageiro, como folha ao vento, como salário que se dissolve ante às necessidades do mês.   A política diz: corte, ajuste, contenha e o investimento torna-se conta a pagar, custo indevido, em vez de semente a germinar.   O giz risca o quadro mas a precariedade arrisca o futuro e a sala de aula se encolhe sob o peso de contratos frágeis e sonhos adiados, invalidados.   E, ainda assim, o professor resiste, voz que insiste num país que esquece que ensinar é eternizar a potencialidade que existe.   Criado em : 3/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

RESPONSABILIZAÇÃO

Hoje os dias andam nublados Tempestades eclodem Raios iluminam a escuridão Trovões esbravejam sermões apocalípticos   Figura nesse turbilhão do caos Um ser frágil e impotente Diante do inexorável O inevitável é desesperar-se   Erínias das consequências Têm como funções primordiais Perseguir e punir atos desordenados   Reconhecendo-se culpado O frágil e impotente ser Como o vento na tempestade Começa a cantar Cantigas de ninar Acalmando a sua essência Confortando a sua madura aparência   A vingança de Alecto, Tisífone e Megera, Enfim, fora cumprida.   Criado em : 1/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff